terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Potência Geral - Canoa


CANOA

     O corpo físico, exteriormente, dá a impressão de ser uma máquina "lisa", mas essa visão esconde a complexidade interna. Na verdade, a nossa dimensão corpórea é composta por níveis diferenciados de elementos, uns mais sólidos, outros mais fluidos, mas todos harmonicamente interligados. Quando diminui ou se rompe esse equilíbrio, algo acontece. Umas vezes a deficiência surge invisível e sorrateira; outras apresenta-se de um modo brusco e agressivo. Mas, em todas as manifestações, a causa teve o seu tempo de instalação que, progressivamente, se apresentará com um efeito desagradável e que designamos por "doença".
    O corpo físico é, igualmente, uma ferramenta e, como todas as ferramentas, tem necessidade de trabalho e cuidados mínimos. Um instrumento sem uso acaba por enferrujar. Um instrumento sem manutenção, termina improdutivo.
     No nosso tempo, amante de aparências, preocupámo-nos com o exterior. Desde que ele esteja apresentável, tanto basta. Daí o recurso sazonal às ofertas da moda. E se o resultado não for rápido, e conforme as nossas expectativas, perguntamos: porque não a ingestão de produtos que garantem a ilusão da desejada brevidade?
     E, no entanto, todos possuímos o espaço, o tempo e os instrumentos necessários para a manutenção regrada da "máquina" que nos transporta pelos caminhos da vida. Mas, primeiro que tudo, teremos de acordar para a possibilidade de não precisar de mais nada que o conhecimento e a vontade.
  Sistema esquelético, muscular, tendinoso, circulatório, respiratório, nervoso, glandular... tudo se interliga. É deste conhecimento que temos de partir para a tarefa preciosa de tonificar, activar, fortalecer. E realizar esta tarefa pessoal e intransmissível com atenta atenção, isto é, sabendo o que se faz e porque se faz este ou aquele gesto. Afinal, quem aprende não é o corpo, mas a mente, não será assim? 
     Então, o mais simples exercício torna-se uma espécie de "meditação" que liga todas as funções do nosso ser; que nos torna um ser único, porque consciente; que nos motiva a auto-estima; que permite termos consciência da importância da nossa própria valorização.
    Na extensa panóplia de ásanas do Yoga, escolhemos, hoje, a CANOA, um exercício extraordinário que alia a potência do alongamento, profundo e generalizado, à activação de um sem número de órgãos, glândulas endócrinas, chakras e "cabos" sustentadores do sistema esquelético.
     Este potente instrumento de verticalização realiza-se deste modo:

* Deite-se de barriga para baixo, apoie o queixo no tapete e estenda os braços para diante. Sinta o corpo pousado sobre o tapete, num relaxamento consciente. Então...
*... inspire profundamente (sempre pelo nariz) e, entrelaçando os dedos das mãos, estique levemente os braços e enrije as pernas. A seguir...
*... expirando, estique firmemente, sentindo a firmeza corporal. Depois...
*... inspire, guarde o ar nos pulmões, e procure aumentar o alongamento, tentando elevar os braços e as pernas e ficando em semi-equilíbrio sobre o abdomen. Prolongue a postura, após  que...
*... expirando lentamente, afrouxe o alongamento e vá baixando as pernas e os braços, até tocarem o tapete, onde, sem sobressalto nem pressa, afrouxa a firmeza do corpo e relaxa devagar e longamente, respirando à vontade.

Dose: 3 vezes

Nota - É sempre oportuna a prevenção de que se deve realizar o exercício com os olhos fechados. Pela experiência perceberá que a diferença é substancial, pois as sensações serão muito mais próximas e profundas. 
       Este movimento torna o corpo muito mais firme e deixa uma sensação de tonicidade benfazeja. Basta experimentar. Não force. Deixe que tudo decorra com naturalidade.
  

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Tonificação peitoral - Andorinha


Andorinha

     Há um insidioso inimigo que nos retira a naturalidade própria de criaturas integradas na Natureza. É o êxodo para as cidades e as funções executadas em recintos fechados e numa atitude passiva. 
   Assim, a nossa estrutura, que devia ser continuamente exercitada, é obrigada a manter-se numa postura amolecida, imprópria e desajustada à sua natureza dinâmica.
    Na verdade, devido aos problemas adquiridos com essa conduta indesejável, que nos induz ao crónico sedentarismo, às vezes, passamos ao nocivo e incontrolado desejo de movimentação rápida e inconsequente. Esquecidos que tudo deve ser regrado e permanente, deixamo-nos arrastar por enganosos conceitos publicitários e caímos no engodo de esquemas sazonais e intensivas. 
   Contudo, não ignoramos que todo o crescimento obedece a uma caminhada consciente e equilibrada. Assim sendo, é sempre tempo de escolher um meio termo entre a inactividade e o frenesim. Poderemos julgar que não é possível encontrar uma boa prática, que una o desenvolvimento físico à estabilização metal, se não tivermos posses para frequentar um local apregoado como centro que se diz capaz de ofertar, instantaneamente, o milagre de uma mente sã em corpo são. Mas, esta ideia, é fruto de informação tendenciosa.
     A verdade é que podemos programar um conjunto de exercícios e realizá-los num cantinho da nossa casa. Basta criar um pequeno espaço e preenchê-lo com instrumentos que todos possuímos: um tapete, um leitor de música, um ambientador odorífero e... vontade. Nada mais é preciso. Crie esse "jardim" onde, no silêncio da sua interioridade, pode (e deve) progredir na sua própria cadência que é, afinal, a sua natural cura, que o levará um estado da saúde e bem estar, pois é nesse caminho, percorrido conscientemente, que se mudará, também, a nível interno.
     Nunca será demais relembrar que não somos, unicamente, uma peça de carne e ossos, mas um ser físico-espiritual ou, se quisermos, uma criatura psicológica. Seja qual for a visão da nossa realidade, teremos de aceitar que o bem estar só é possível com um estado de espírito pacificado. Então, se assim é, não devemos descurar essa dimensão.
     Yoga é, já o dissemos muitas vezes, uma atmosfera de união, de integração, onde todas os níveis do nosso ser se interligam harmoniosamente. Assim sendo, é preciso voltarmos os sentidos para "dentro" e não só utilizá-los para ver o mundo e as outras criaturas do mundo corpóreo. Isso é meditação. E é a meditação que nos tornará conscientes de nós mesmos.
     Hoje, e para todos os dias, apresentamos a "Andorinha de asas fechadas", um exercício extraordinário para tonificar a caixa torácica e musculatura peitoral. Siga estes passos:

* De pé, pernas unidas e braços ao longo do corpo, respire calmamente e desenhe, mentalmente, a figura. Então...
* ... inspire profundamente, ao mesmo tempo que abre os braços em cruz. Aí, guarde a respiração em cheio, durante algum tempo, e, depois, expirando, dobre o tronco, devagar, enquanto os braços, bem estendidos, rodam ao nível dos ombros de modo a que as mãos se aproximem e se unam firmemente (sem dobrar os braços pelo cotovelo), enquanto os braços se afastam das costas. Depois...
* ... após uma retenção respiratória (em vazio), inspire e tente afastar um pouco mais os braços (em relação às costas). Aí...
* ... expirando, volte, devagar, à postura vertical, mas mantendo o afastamento dos braços, que devem continuar firmes. Na posição de pé, sinta o "trabalho" sobre a região peitoral. Inspire de novo e, expirando, descontraia, desfazendo a prisão das mãos e voltando à postura inicial.

Dose: 3 vezes

Nota - Decerto que notará, desde o primeiro ensaio, como este ásana se coloca, de forma intensa, na região peitoral. Sinta como este gesto oferece uma sensação de profundo tonificação, relaxamento e bem estar. Não exija grandes execuções. Comece com bom senso. Aperfeiçoe. Permita que a naturalidade se instale. Aproveite.



sábado, 1 de dezembro de 2012

Torção Espinhal - NORA
















NORA


   Yoga é a arte de utilizar harmoniosamente as "ferramentas" técnicas, sejam ginásticas, respiratórias ou meditativas. A aprendizagem inicial é, afinal, uma reaprendizagem a todos os níveis, pois somos criaturas apressadas e, por isso, seguidoras de todos os modismos passageiros. Sem pensarmos, aderimos aos gestos de rebanho, sejam ou não do nosso interesse, esquecidos que cada um tem a sua própria estrutura, a sua própria cadência e as suas próprias necessidades.
     Por outro lado, somos criaturas distraídas, comendo o que nos dizem para comer, vestindo o que nos dizem para vestir, pensando o que nos dizem para pensar.
    O Yoga, ou seja, a atmosfera construída pacientemente, conscientemente, permite-nos certificar que cada um de nós é um ser autónomo, necessitado de um espaço e de um tempo onde pode experimentar a presença do seu próprio ser, pois a verdade é que estamos tão ligados ao exterior pelas janelas dos sentidos corporais, que raramente repousamos na companhia da nossa própria essência.
     Já pensamos, por exemplo, que não é o corpo que aprende, mas a nossa "parte" pensante que programa os próprios pensamentos, os gestos e as acções? 
     Yoga não é outra coisa que esse espaço e esse tempo de interiorização, mediante a criação mental do gesto, seja respiratório, seja ginástico, onde colabora a intenção activa. E, então, já não é mais a automática respiração que acontece ou o espontâneo gesto que se exercita, mas o ser inteiro que colabora, configurando um ser que se torna consciente de ser.
     No mundo dos nossos dias inquietos, no nosso quotidiano feito de acelerações, precisamos de encontrar, nas margens da vida, oásis onde possamos sentar-nos um pouco para nos reencontrarmos a nós mesmos; para construir um pouco de silêncio e de paz.
     Não é somente o corpo que necessita de descanso. A alma precisa de respirar. Ou já nos esquecemos disso?
     As "ferramentas" (corporais e respiratórias) podem ser utilizados de muitas maneiras, dependendo da finalidade. Apresenta-se, aqui, um ásana de torção espinhal, aparentemente com actuação nas costas e coluna, mas que favorece a activação de plexos nervosos, glândulas endócrinas, chakras e toda a estrutura esquelética, tendinosa e muscular. Basta ensaiar e sentir. Trata-se da NORA que se exercita deste modo:

* Fique de pé, com as pernas um pouco afastadas e os braços ao longo do corpo. Lembre-se que utilizará a respiração comum de quatro tempos (inspiração-retenção-expiração-retenção). Feche os olhos para sentir (e visualizar internamente) o desenvolvimento da figura. Aí ...
* ... inspirando (pelo nariz, claro) faça um grande gesto de abertura dos braços, até os colocar, bem estendidos, no enfiamento dos ombros, e voltando a palma da mão esquerda para cima, retendo um pouco a respiração. Depois...
* ... expirando lentamente, comece a rodar o tronco, por acção do braço esquerdo (como se tivesse o "burrinho" puxando a nora), enquanto o outro braço dobra pelo cotovelo, até que, terminada a expiração e a torção (com o braço direito encostado ao peito), retém a respiração em vazio, após o que, inspire profundamente e...
* ... expirando, destorça lentamente, baixe os braços e adopte a postura inicial.
* Respire à vontade e normalize. Prepare o gesto inverso.


Dose: 3 vezes





Nota - Lembre-se que a teoria serve para auxiliar a prática. A teoria é abstracta, pelo que, inicialmente, pode parecer confusa. Por isso, colocando-se da posição inicial, peça a alguém que vá lendo cada item da técnica. Depressa apanhará o jeito. Não tenha pressa. Lembre-se que está a trabalhar em seu próprio benefício. Aprendas as técnicas, mas registe que só com os olhos fechados e a mente presente perceberá o seu sentido.











sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Postura da LUA













Escoliose 
(tratamento)
Fortalecimento das Costas e Coluna Vertebral

É sempre útil lembrar que a nossa estrutura corpórea é um conjunto de elementos que se interrelacionam para que o funcionamento geral se processe com a naturalidade de um organismo saudável.
Esta presente postura beneficia profundamente a coluna, pois todo o exercício é "colocado" de modo a distendê-la (encurvando-a) lateralmente, estimulando, assim, uma correcta postura.
O desenvolvimento da MEIA LUA exerce um efeito alternado de estiramento/compressão sobre as faces laterais do tronco, conduzindo ao desbloqueio e "calibragem" de massas musculares e tendinosas, produzindo uma sensação de vitalidade e relaxamento.
Actuando sobre a coluna vertebral e dobrando-a, elo por elo, exerce um efeito estimulante sobre os "cabos" de apoio da coluna (tendões e massas musculares), tornando-a mais capaz de manter uma verticalidade maleável.
Os seus efeitos fisioterápicos, a níveis mais internos, têm benéfica acção sobre o funcionamento do baço, pâncreas e cólon.
O praticante deve, pois, estar atento ao equilibrado desenvolvimento do exercício (ásana) para colocá-lo nas regiões a que se destina e, assim, colher integralmente os benefícios.
A execução deve estar condicionada aos ciclos respiratórios naturais de cada praticante (respiração completa: inspiração-pausa-expiração-pausa).
Para "sentir" a resposta corporal e reequilibrar as funções psicológicas, o praticante deve desenvolver o exercício com os olhos fechados para "assistir" ao seu desenrolar, coordenando todo o percurso corporal.
O desenvolvimento deste ásana tem as seguintes etapas:

* Em posição de pé, com pernas afastados a uma distância que possibilite equilíbrio estável e desenvolvimento harmonioso, deixe os braços caírem ao lado do corpo, depois;
*... inspire profundamente, abrindo os braços em cruz, e faça uma ligeira pausa em retenção respiratória (em cheio) e, então;
*... comece a expirar, lentamente, enquanto o braço direito, bem esticado, se eleva (palma para cima), passa por cima da cabeça e se "enrola" sobre ela, ao mesmo tempo que o esquerdo desce ao lado da perna, onde termina a expiração e tem lugar outra pausa respiratória (em vazio) após o que;
* ... inspire profundamente e inicie a subida,  expirando lentamente e deixando que os braços caiam para diante e as mãos se toquem. Então;
* ... relaxe conscientemente (com respiração livre).
* Reinicie, dobrando para o lado inverso.

Dose: 3 vezes

Nota - Procure desenvolver gestos harmoniosos com os braços, ao abri-los em cruz e ao descrever a curvatura lateral. Procure que ambos façam o percurso em uníssono. Não permita que o corpo se incline para diante, pois esse "truque" é uma ilusão que retira ao exercício a maior parte da sua preciosa ajuda à aquisição de progressivo bem-estar.
    Finalmente, recorde que nunca deve realizar o exercício com o máximo de plenitude, mas deixe uma folga que permita manter o conforto. Nem preguiça nem esforço é regra de ouro.
    As imagens acima mostram que cada praticante evolui até determinada amplitude, que é a permitida pela sua estrutura e pela sua progressão "ginástica", demonstrando que o Yoga não pretende elevar cada um ao nível de ginasta de circo, mas ao bem-estar pessoal.

sábado, 3 de novembro de 2012

Respiração alternada



Respiração Alternada / Polarizada / limpeza


     Todos os seres viventes respiram. A respiração serve para levar nutrientes aos mais recônditos espaços da fisiologia. Sem respiração suficiente, a criatura definha. Sem respiração, a criatura morre. Basta que haja uma leve dificuldade respiratória e a aflição se faz presente. Basta deixar de respirar durante um curto período de tempo e poderá haver consequências irreversíveis a nível cerebral.
     Estas leves considerações nos mostram como a respiração (levar azoto e oxigénio aos órgãos, através da inspiração; limpá-los do nutriente "queimado", já dióxido de carbono, através da expiração) é um factor de boa saúde, pelo que devemos dar-lhe mais atenção.
    Atenção, decerto, porque respiração não é só o automático acto de inspirar e expirar. Por isso, atenção, igualmente, à quantidade e à cadência.
   Já tomamos consciência de que, quando fazemos exercício físico, o corpo "exige" ciclos respiratórios mais frequentes e rápidos? E sabemos, minimamente, como funciona a respiração, qual o seu circuito, como actua e onde actua?
     A ideia geral reduz a respiração às vias respiratórias: nariz, boca e pulmões. Certo, mas não é tudo, pois o nutriente inspirado "atravessa" os alvéolos pulmonares e entra na circulação sanguínea onde, através de artérias, veias e capilares, nutre o organismo a nível celular.
    Um entendimento mais profundo nos dirá que a respiração, a todo o momento, denuncia o nosso estado de alma. Se estivermos inquietos, a respiração torna-se mais rápida e curta; se estivermos tranquilos, a respiração é mais espaçada e serena.
    Esta simples exemplificação nos mostra como a respiração é um instrumento que podemos (e devemos) utilizar para melhorar o nosso estado íntimo, para além da natural oxigenação corporal, pelo que respirar conscientemente se torna, também, uma excelente atitude meditativa que oferece proveitosos resultados.
   Poderemos, por exemplo, exercitar uma técnica simples que nos mostra como respirar convenientemente é activar uma ferramenta sempre à mão, sempre agradável e sempre libertadora. Experimentemos a respiração alternada/polarizada/limpeza, que se realiza deste modo:

* Sente-se confortavelmente (não é indispensável que seja nas posições convencionais do Yoga). O importante é poder libertar-se de incómodos para que possa concentrar-se no simples acto de respirar. Depois...
* ... feche os olhos e, utilizando o indicador, bloqueie a narina direita. Então, inspire lenta e profundamente pela esquerda, deixe o ar lá dentro, durante algum tempo e, bloqueando a narina esquerda, expire devagar e totalmente pela direita. 
*  Realize esta técnica durante algum tempo, sem forçar e sem levar o ar para o peito, mas deixando distender a zona estomacal e sentindo que acontece dentro de si. Quando julgar suficiente, quando se sentir leve e tonificado, mude o bloqueio da narina. Comece, então, a bloquear a esquerda, para inspirar pela direita.

Dose - 3 minutos.

Nota: Quando tiver o treino bastante para dominar, com facilidade, esta técnica, pode começar a centrar-se na abertura da asa da narina no momento da inspiração. Basta um pouquinho de atenção e vontade. Vale a pena, pois a inspiração se tornará mais fresca ao incidir num ponto mais profundo do nariz. Finalmente, quando se prepara para respirar conscientemente, lembre-se que a respiração nutre e limpa (corporalmente). E que (emocionalmente), estabiliza e liberta. Experimente.
   
PS. Não esqueça que as técnicas de yoga não são especificas para iniciados, mas próprias e benéficas para todos.
  

     

sábado, 20 de outubro de 2012

Flexibilização da Coluna






Postura do GATO

   Todos nós, num momento ou outro, nos queixamos de peso nas costas, incomodidade que, quando não cuidada, se torna permanente fonte de doloroso desconforto. 
    Reconhecendo-se que o nosso corpo físico é composto por uma infindável rede de instrumentos, é pacífico aceitar que todos eles devem funcionar bem para o acerto geral. No entanto, as tarefas quotidianas, tantas vezes realizadas de forma inconsciente e apressada, conduzem a más posturas que agridem a estrutura corpórea. Daí os nós de tensão, a ruptura de massas musculares ou tendinosas ou mazelas localizadas. E é certo e sabido que a acumulação de pequenas “amolgadelas” traz efeitos negativos no bom funcionamento geral.
      A queixa das costas vai sendo, de facto, uma realidade cada vez mais presente. 
     O sintoma de mal-estar geral ou a incidência dolorosa (quase sempre localizada nas zonas cervical ou sacro-lombar) deve-se à carência de tonificação e, logo, de irrigação, decorrentes da pouca mobilidade e das posturas incorrectas adoptadas no quotidiano e que conduzem a desgastes de consequências mais ou menos graves. 
     Na verdade, a coluna não se basta a si própria. Necessita de apoios fornecidos pelos tendões e massas musculares. Só assim, em interacção frutuosa, pode sobrevir uma sensação de tonicidade e leveza. Sendo a coluna constituída por "elos", delicadamente ligados por massas esponjosas, para poder responder as solicitações da vida, deverá ser trabalhada para se manter flexível.
   Na extensa panóplia do Taiki-Yoga há um exercício simples, agradável e de efeito duradouro, denominado “Movimento do Gato” (lembrando a flexibilidade ondulante do gato), que deveria ser tarefa apetecível de todos, para manter a coluna maleável e liberta de tensões. 

    Este ásana é um excepcional meio para manter as costas leves e tonificadas. É um exercício simples que serve para todos, pois não exige qualquer esforço, se bem que o seu aperfeiçoamento leve algum tempo (precisamente por causa da sua simplicidade). 

    O GATO tem as seguintes etapas de desenvolvimento: 


* Coloque-se sobre os joelhos e sobre os braços estendidos (postura de “gatas”), numa atitude descansada. Dobre-se, até a barriga se encostar às costas, e retire todo o ar dos pulmões. Então; 
*… enquanto vai inspirando, longa e profundamente, comece a erguer a cabeça, de modo a que o movimento ondulante percorra a coluna, a partir das cervicais, terminando na zona sacro-lombar, movimento que acaba com a coluna dobrada para baixo, a cabeça erguida e o traseiro elevado, depois; 
* … enquanto vai expirando, inicie o movimento contrário, em que a coluna, vértebra por vértebra, se vai elevando a partir da zona sacro-lombar e até às cervicais, movimento que termina com a coluna arqueada para cima e cabeça para baixo, voltando à postura inicial. 

Dose: + de 6 vezes

Nota - O “pensamento” deve estar permanentemente colocado na coluna, sentindo e visualizando o seu arquear em onda, para cima e depois para baixo, percorrendo vértebra após vértebra. As respirações devem ser profundas (acompanhando todo o movimento) e deve manter-se, um pouco, a respiração suspensa, em cheio e em vazio, no final de cada ciclo. 

Benefícios - Promove a flexibilidade e a tonicidade da coluna. Oferece profundo alívio devido à massagem simples e integral.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Activação Pélvica e Lombar



   Pomba ou Cisne

   A "escola" Taiki-Yoga oferece dezenas de técnicas corporais, cada qual incidindo sobre uma determinada região corporal, conforme a finalidade pretendida, mas actuando sobre a generalidade dos sistemas sustentadores de vida e saúde.
A “linguagem/palavra”, que designa cada postura, não só lhe dá um “nome” reconhecível como sugere a forma de a realizar. Desde a “Borboleta”, com o seu adejar leve, à “Andorinha”, com o seu desenvolvimento gracioso, o "nome" sugere que cada gesto técnico se deve identificar com a figura que pretende imitar, através da visualização centrada na memória e na imaginação.
Há, pois, posturas leves, flexíveis, activantes, meditativas, etc., sendo que todas se relacionam, completando-se para favorecer a interligação harmoniosa de todos os elementos constitutivos do nosso ser.
Devemos ter sempre presente que a maior “dificuldade” inicial do interessado na prática do Yoga é desmontar a ânsia, própria da nossa mentalidade ocidental, que pretende alcançar mais longe, mais alto e mais rápido, sem correspondência amigável entre a mente e o corpo. Sabemos que, nas “ginásticas” comuns, tudo é feito em esforço e com rapidez. No Yoga, porém, tudo é (deve ser) realizado serenamente, com harmonia.
Por isso, as primeiras etapas servem para “limpar” essa “agressividade” instalada na programação neuronal que nos move à competição com os outros e connosco próprios.
Nos primeiros passos, pois, busca-se a sabedoria que suavize o comando do corpo e acrescente a interiorização para senti-lo. Nesse período, os gestos tornam-se numa “ginástica” mais consciente. Mais tarde se darão os acertados passos que conduzem ao Yoga, isto é, à Harmonização. Yoga não é, pois, cada gesto, cada técnica respiratória, cada “aula”. Yoga é a atmosfera alcançada com esses gestos físicos, com essas técnicas respiratórias e com a atitude meditativa que permite desenvolver as tarefas com a mente, o corpo e a respiração unidas numa só aspiração: estabilizar o ser em todas as suas dimensões: corporal, psíquica e espiritual.
Hoje, apresentamos uma postura de dificuldade média (foto da esquerda) e que é um excelente exemplo de exercício profundamente benéfico e esteticamente belo. Trata-se da “POMBA” ou “CISNE”, que se realiza assim:

* Ajoelhe-se e sente-se sobre as pernas, depois incline-se para diante, facilitando a extensão de uma das pernas, após o que se endireita e se senta sobre a perna dobrada e coloca a mão sobre ela. Então...
* ... inspire profundamente (pelo nariz), faça uma retenção respiratória e, expirando prolongadamente, com auxílio da mão sobre a coxa, torça e retroflicta a coluna, procurando que o braço solto (correspondente à perna estendida) se abra e gire graciosamente como a asa de uma ave, até tocar a perna, onde deve permanecer um pouco, com a respiração suspensa (em vazio). Depois...
* ... inspire profundamente, sustente a postura e, expirando, profunda e integralmente, volte à postura inicial, onde se prepara para trocar as pernas e exercitar para o lado inverso.

Dose: 3 vezes.

Nota - Este ásana promove a flexibilidade geral, para além de estimular a região lombar, externa e interna, e os órgãos pélvicos. Em termos mais “psíquicos”, acrescenta o nível de equilíbrio e, como todo o trabalho bem feito, aumenta o tónus anímico, favorecendo a auto confiança.

    PS. Nas fotos acima podemos observar duas variantes do mesmo ásana. O Yoga oferece uma panóplia extensa de posturas corporais que podem ser exercitadas desde graus simples até variantes mais exigentes. Contudo a realização deve manter-se sempre dentro de uma "atmosfera" elástica e confortável. Nunca levar o movimento ao extremo é a regra de ouro.